Desse modo, vejo que preciso me apresentar antes de deixá-lo a par de mais coisas do que pode desejar saber. A partir daqui, não existe mais retorno sobre o que está para presenciar dentro de meus sentimentos e memórias mais profundas. A partir daqui, estas folhas de papel contém mais do que tinta. Estão sendo escritas com o sangue mórbido de todos os inocentes que passaram por minha vida. Escritas com o pesar de todas as almas que estripei para fora de seus corpos, mas não com o receio ou o remorso de quem se arrepende de algo. Não me sinto minimamente perturbado com absolutamente nenhum ataque, tortura ou ato, por mais mais hediondo que seja, cometidos em meu passado. Contra vampiro, humano ou lobisomen. Contra criatura sobrenatural ou não, não me arrependo de tê-los ferido, assassinado ou atormentado de forma alguma. Sabe, até conto com orgulho algumas histórias nas quais me ví superando as barreiras da desumanidade para atingir meu máximo potencial como um sedento por sangue.
Um sedento por sangue, é assim que desejo começar minha apresentação. Sou um vampiro, tenho presas naturalmente maiores do que as dos outros e elas têm me sido extremamente úteis. Por algumas centenas de vezes cortei e furei meus lábios até aprender sua natureza e domá-la. Chamo-me Adrian Seymour, porém, meu sobrenome é insignificante. Arrasto-me pelos séculos com dezenas de diferentes identidades, mas eternamente hei de perpetuar meu nome. Aprecio-o e aprecio-me de igual maneira, para que possa abrir facilmente mão daquele que me foi dado em berço. Nascido em 476 d.c, não posso dizer-lhe o dia. Não por descaso, apenas não lembro-o. Os calendários não eram iguais, o mundo não era igual e, óbviamente, isso conta para a memória de um vampiro. Ao morrer, pois é o que biológicamente sou, um morto, criam-se diversas teorias sobre o mundo e suas origens, sobre as culturas e tradições. Fazer aniversário é nada mais que celebrar a sobrevivência e, então, não existe razão para que eu tenha comemorado essa data um ano sequer de meus 1500 anos de morte. Ah sim, meu deathday é dia 8 de maio, acho que isso significa que sou de touro em algum zodíaco. O resto será dito com o passar dos meus dias através destas folhas, até que esteja tão fundo em mim mesmo que perca sua identidade em meu mundo pessoal. Informado disso, espero que aprecie está leitura da mesma maneira que a vivi dia após dia.
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Magnífico!!
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