segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The War Tales by Anne


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Ela estava afiando sua adaga em um cinto de couro preso à porta daquele cubículo onde se encontrava enfornada como um rato. Seus olhos focaram deslocadamente uma antiga faca sobre o banco ao lado da cama e não demorou muito para lembrar de sua história.

Anne afiava a faca à bancada de mármore da cozinha, não aguentava a ausência de fio dessas facas de cozinha. Tinha um sorriso nos lábios e um quarto de queijo em cima de sua pia que deveria ser cortado logo. Arriscou passar a lâmina no queijo e dessa vez ela deslizou suavemente, sendo bem mais agradável do que a anterior sensação emperrada. Continuou cortando o acompanhamento em quadrados quando Llane entrou com uma garrafa vazia de vinho na mão e um sorriso simpático no rosto. Era engraçado como ele adquiria uma seriedade dócil perto dela. Sempre notara o quanto ele se empenhava para não dizer nada que o fizesse soar tolo, mesmo que falhasse miseravelmente toda vez.
Sorriu para ele e, ao virar o rosto novamente para o queijo, seu coque afrouxou um tanto. Sentiu-se corar e continuou a cortar o queijo.
-Então, não pretende se juntar a nós? -Ele sorriu de sua maneira peculiarmente charmosa.
-Claro que não, acho que esse queijo me é uma melhor companhia.
-Ouch, me sinto ofendido assim.
-Ele riu e pegou um dos cubos da tigela, passando o braço por cima do ombro direito dela. Pode sentir o hálito dele perto de sua orelha, cheirava a vinho, mas também ao eucalipto que frequentemente o via mastigando.
-Estávamos falando de você.
Ela virou perigosamente perto o rosto para ele após cortar seu último cubinho de queijo e sorriu.
-Acho que é o que acontece quando se sai do ambiente para servir aperitivos.
-Acho que é o que acontece quando se é uma mulher esplêndida.
-Somna sabe que está falando dela por ai?

O comentário o fez se afastar um pouco.
-Venha cá, lhe ajudo com o vinho. -Disse isso e se afastou mais dele, indo até o fim da cozinha, abrir um alçapão extremamente novo e bem cuidado.

Ela desceu a escadaria e sentiu que ele o acompanhava, ela tirou do bolso da saia um acendedor e iluminou as velas da adega. Feita de pedras frias, era o que se podia chamar de adega luxuosa. Pegou uma garrafa de vidro esverdeada e bem lavada de uma prateleira e andou até um dos barris, encaixando a garrafa e abrindo sua 'torneira' para fazer escoar o vinho. Todos com emblemas de Stormwind, os barris eram de Nortshire Abbey e haviam descido lá há alguns meses, mas o vinho em si era guardado a mais tempo.

Não precisava de muito para notar que ele a seguira após alguns instantes e ficara apoiado à escada pelos cotovelos. Quem diria que o rei seria um homem tão novo e simpático quanto seu próprio marido? Conhecera o pai dele e lidara com a sua morte sem culpa alguma, mas sentira-se mal por Llane. Ajudara-o a passar por isso há alguns meses. Ele havia sido instruído para ser rei e sabia que ele tinha poder e confiança para isso.
A garrafa se encheu e o líquido gelado em suas mãos foi logo entregue ao outro enquanto ela pegava uma nova garrafa para encher.
Llane sorriu e deu um gole na garrafa, brincando com a reprovação que surgira nos olhos de Anne.
-Obrigada pelo jantar. Tem sido uma ótima amiga, desde que Landen se foi. -Ele pareceu extremamente honesto.
Anne sorriu e sentiu-se corar.
-Sei o quanto é difícil perder alguém importante.
-Só.. Nunca achei que... Seria capaz. Ser rei.
Ela terminou de encher a nova garrafa e se adiantou até o loiro, colocando a sua mão sobre o ombro dele.
-Você é um bom rei, Llane, vai ser um ótimo rei. -Ela disse firme e séria. Não estava elogiando-o, estava afirmando isso.
O rei passou a mão pela bochecha dela e desceu suavemente os dedos pelo seu queixo. Quase como se tivesse o feito antes.
-Austin não sabe um quarto da mulher absolutamente incrível que é.
Desvencilhou seu rosto da mão dele e franziu o cenho ligeiramente desdenhosa, mas ainda sorrindo.
-Nem que seu melhor amigo tem interesse por sua mulher, mas vamos manter assim, não é?
-Espero que ele saiba o que fazer para não lhe perder.
-Creio que ninguém sabe isso.
-Eu creio que ganharia se apostasse em uma coisa ou duas.
-Try me.
-Disse ela sorrindo após uma risada.

Ele se adiantou alguns passos e deixou o vinho nos degraus. Usava uma camisa branca e um colete por cima. Os tecidos eram nobres, mas mantinham os músculos do rei evidentes. Ela se lembrava de como a voz dele pareceu calorosa no frescor da adega.
-Não lhe sufocar, com nada. Não exigir que faça o que não deseja por capricho. Como deixar seus cabelos compridos.
Apesar da surpresa com que foi atingida por esse comentário, apenas bufou baixinho e riu.
-Austin nunca me pediu para deixar os cabelos crescidos. Faço isso por que sei que ele gosta. Assim como ele se barbeia por minha causa.
-Tal como eu. Mas não vou começar a conversa de quem fez isso antes. Tenho certeza que seria mais confortavel com as madeixas curtas.
-Anotarei a dica.
-Ela sorriu e pegou as garrafas de vinho, subindo pela escadaria da adega.

A adaga escapou de sua mão e Anne reparou que se cortara com certa profundidade pela distração. A adaga estava agora no chão, embebida numa linha grossa de líquido vermelho. Ela secou a mão numa toalha e foi pegar as bandagens, sem expressão nenhuma de dor. Só agradeceu mentalmente que não havia colocado seu veneno ainda nela.