segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Suck my behavior, then I lick your good intentions


..........
Encontrava-se sentado embaixo dos bancos, no meio das estruturas metálicas em um canto da quadra. Seria trabalhoso achá-lo alí, mas frequentava o lugar desde seu primeiro ano e, com isso, os outros alunos pareciam menos interessados nele.

Podia jurar que tinha algo como um campo eletromagnético, que repelia as pessoas, ao seu redor e gostava dele, relativamente. Digamos, era... Bom não ser atormentado pelos outros, nunca fora o perfil de cara que sofre bulling, mas também nunca se enquadrou em popularidade ou sequer menores integrações sociais. Não tinha dinheiro, digo, trabalhava em um armazem de noite para não ser _mesmo_ zerado, no entanto, suas roupas eram sempre velhas e usualmente esfarrapadas, seu rosto vivia encoberto pelos cabelos loiros luminosos e isso tirava a atenção que poderia ser dirigida a seus olhos. Azuis como a profundidade dos céus, grandes orbes iluminados que Britt se referia como "os olhos de um anjo", que piada... Adorava a cor de seus orbes, mas não preocupava-se em exibí-la, só em suas frustradas tentativas de arrumar um encontro.
Bom, Morgan tende a não ser bom com as palavras ou com o seu comportamento e tende a ser pior com a rejeição... Bem pior. Fora isso é um bom garoto.

Sua vida estava uma merda, em todos os sentidos. Queria explodir algo ou alguém... Em breve, queria matar algo, queria descontar essa raiva, mas apesar disso seu semblante era calmo e indiferente... Só o ar pissed, but best than you convencional enquanto fumava um cigarro. Era o último do maço que comprara antes de dormir ontem, fumara tudo de manhã e nem tinha a consciência disso.

Havia passado a noite na rua, sua Britt estava dando e não suportava assistir ou ouvir aquilo. Algum dia juraria poder dar um tiro em ambos para que se calassem. Tinha prova e estava perdendo-a por estar com sono demais. Tinha pensado em estudar a noite, mas fora só mais uma de suas teorias ridículas sobre uma vida acadêmica. Não era para ele e nem sabia realmente a razão de ainda frequentar a escola. Espera, sabia sim... Não ter de ficar em casa.
..........

domingo, 26 de dezembro de 2010

Good morning; Chicago


..........
O moreno tragou pela última vez o cigarro e aproveitou o conforto momentâneo, expelindo a fumaça que sobrara antes de atirá-lo à escuridão do chão úmido. Se desencostou da parede e saiu andando com seu par de all stars azuis marinhos limpos por aquela imundice típica de vielas de cidades grandes. Estabeleceu um rumo imaginário em sua mente e adentrou o beco não iluminado, com os olhos voltados para o chão e as mãos na jaqueta de - negro tomava a rota mais rápida para casa.

Eram quase quatro da manhã e Adan andava pelo inverno de Chicago apenas com um agasalho e a calça do pijama por baixo do jeans azul marinho. Não parecia preocupado em se congelar, mas sentia a umidade dos tênis e o arder das maçãs do rosto. Agora que a fumaça do cigarro cessara sua respiração era balanceada pela nevoa feita do ar gélido e o calor que suas narinas ainda tentavam expelir com o gás carbonico.

Não tinha mais de dezessete anos e seu rosto mentia bem esse número. Assim como sua altura, que não chegava a 1,80, parecia resolver sacaneá-lo para que parecesse ter 15. Adan era extremamente auto-crítico e detalhista, mas não era possivel sabê-lo. Quanto mais seu gosto por conhaque e rum. Realmente apreciava as bebidas e estudara-as para saber mais. No entanto, o gosto que estava em sua garganta agora não era de nenhum bom rum, mas de um conhaque vagabundo que servira para esquentar seu retorno.

Não era um vândalo ou vagabundo, quanto menos se assemelhava a um delinquente ou qualquer hoolligan kind type. Seus pais provavelmente sabiam que ele não estava em casa e era normal que não fizessem nada, Adan não conseguia passar intimidade ao casal, nenhum tipo de intimidade que os fizesse sequer soar como seus pais após certa idade. Ele estava ali e eles estavam ali, era sua relação. Algum aceno com a cabeça e murmurar qualquer comentário à mesa de jantar. Era tratado diferente e, desse modo, era diferente.

Continuou seu caminho e não pensava em ser assaltado, nem acreditava que seria. De qualquer modo, também não se importava caso fosse e era esse o tipo de segurança pessoal que tinha ao andar pelas ruas.

Fez um novo trajeto mental e o seguiu por alguns quilometros. Gostava de andar, seus passos eram calmos e sem pressa. Notava a mudança de cor no céu enquanto andava e absorvia os tons róseos extremamente finos salpicarem o azul negro do inverno.
Faltavam vinte para as sete quando pisou no doormat de sua casa e secou a sola dos tênis ensopados com umidade. Tirou suas chaves do bolso e despiu os calçados e as meias no gélido ar de dezembro. Entrou em casa sentindo o calor do aquecedor e fechou a porta com a suavidade de quem não acha justo acordar os pais.

Andou até a lavanderia e tirou seu casaco e calça jeans no tanque. Deixou também seu par de tênis ali ao lado e seguiu trajando os pijamas ligeiramente frios pela casa bem arrumada dos pais. Acreditava que sua avó viera fazer faxina no meio da semana e isso explicava não residirem copos na pia ou sapatos embaixo da mesa de centro.

Subiu para o seu quarto e pegou uma toalha, na direção do banheiro. Passou os olhos pela fresta da porta de sua irmã e pôde vê-la aquecida em seu edredom tom de pêssego. Esboçou o que era sua representação de sorriso e fechou-se no banheiro, pendurando sua toalha no devido local e livrando-se das calças e da blusa, pondo-as no cesto de roupas.
Ligou a água quente e entrou de cueca na ducha. Apoiou a testa em uma das paredes e deixou o calor deslizar por sua nuca abaixo. Percorrendo a trajetória de sua coluna até o elástico da boxer branca. Não por charme, sua mãe comprava-as e era só.

Tirou sua última peça de roupa e, enfim, focou-se em tirar a imundice da rua de si antes de ir para a aula.


..........


A ruiva abriu os olhos quando a ducha fora ligada e se manteve observando o teto desde então. Estava perturbada e era só o que se permitia sentir. Não fez muitos movimentos mais para não despertar Jordan, mas sentia a palpitação desrregulada de seu coração. O estômago era embrulhado e apenas ponderava sobre o som da ducha que sabia ser do filho mais velho.

Não se iludia ao pensar que ele acabara de acordar. Conhecia os hábitos do moreno como um relógio e mais ainda conhecia o que andava fazendo. Havia brigado diversas vezes e acreditava que inutilmente. Manteve-se frustrada e deitada em sua impotencia até que o som parasse e ela pudesse despertar para fazer o café e acordar Angie.


..........


Por mais dez minutos, Adan se banhou e enrolou na toalha, secando os cabelos, as canelas e os pés para que não molhassem nunca o chão. Não gostava de molhar o chão. Caminhou para fora do banheiro e deixou tudo o mais próximo de como estava antes que ele entrasse lá. Seguiu para o seu quarto e deixou a janela entreaberta com o frio da manhã enquanto se vestia. Era uma das poucas coisas que, honestamente, acalmava-o.

Abriu o armário e colocou uma nova roupa de baixo antes de pegar sua calça social azul e a blusa branca, também social. Secou bem os cabelos antes de por a blusa e amarrou a gravata após passar desodorante e creme para acne nas bochechas. Estava no fim seu tubo, assim como suas espinhas. Meticulosamente passou os dedos pela prateleira de afins em seu armário e retirou uma gilette, indo novamente para o banheiro sem muita vontade.

Parou de frente para a pia e observou a lâmina em sua mão por um segundo ou dois, então aproximou o rosto do espelho. Passou os dedos pelo queixo e bochechas sem nenhuma expressão , desceu a averiguação pelo pescoço e então passou a lâmina ali, seca, mas meticulosa.

Começou a fazer a barba, sempre procurando a direção certa para não deixar as raízes. Admitia que não queria que sua mãe soubesse de sua barba. Não por nenhuma razão em especial, mas sabia que isso a atormentaria e, por vezes, ia no barbeiro para que a navalha a tirasse com mais precisão.

Terminado o ritual, voltou para seu quarto a tempo de espiar sua mãe na tentativa de acordar Angie pela fresta da porta da irmã. Guardou a gilette e colocou os sapatos sociais que tinha certeza ser um dos únicos rapazes que ainda os usava na escola. Pegou o blazer da escola e colocou-o sobre o ombro quando descia para o café.

Colocou a mesa para todos e deixou o cereal sobre ela, fazendo o seu de Snowflakes sem açúcar e com uma colher de mel logo após. Serviu-se de suco e começou a tomar seu café lentamente, sozinho na penumbra da mesa da cozinha. Afinal, Adan não acendia algumas lampadas por mania e, na cozinha, seu hábito era acender apenas a lâmpada acima do fogão.
..........

sexta-feira, 14 de maio de 2010

[Adrian] Into - My Dying Years

..........

Por meio deste livro, hei de narrar minhas milenares memórias. Cada dia do qual recordo estará disposto em palavras precisamente transcritas de minha mente. Talvez não tenham sentido, mas serei fiel à lógica que, para mim, é clara como a luz das velas com que fui ensinado a ler.

Desse modo, vejo que preciso me apresentar antes de deixá-lo a par de mais coisas do que pode desejar saber. A partir daqui, não existe mais retorno sobre o que está para presenciar dentro de meus sentimentos e memórias mais profundas. A partir daqui, estas folhas de papel contém mais do que tinta. Estão sendo escritas com o sangue mórbido de todos os inocentes que passaram por minha vida. Escritas com o pesar de todas as almas que estripei para fora de seus corpos, mas não com o receio ou o remorso de quem se arrepende de algo. Não me sinto minimamente perturbado com absolutamente nenhum ataque, tortura ou ato, por mais mais hediondo que seja, cometidos em meu passado. Contra vampiro, humano ou lobisomen. Contra criatura sobrenatural ou não, não me arrependo de tê-los ferido, assassinado ou atormentado de forma alguma. Sabe, até conto com orgulho algumas histórias nas quais me ví superando as barreiras da desumanidade para atingir meu máximo potencial como um sedento por sangue.

Um sedento por sangue, é assim que desejo começar minha apresentação. Sou um vampiro, tenho presas naturalmente maiores do que as dos outros e elas têm me sido extremamente úteis. Por algumas centenas de vezes cortei e furei meus lábios até aprender sua natureza e domá-la. Chamo-me Adrian Seymour, porém, meu sobrenome é insignificante. Arrasto-me pelos séculos com dezenas de diferentes identidades, mas eternamente hei de perpetuar meu nome. Aprecio-o e aprecio-me de igual maneira, para que possa abrir facilmente mão daquele que me foi dado em berço. Nascido em 476 d.c, não posso dizer-lhe o dia. Não por descaso, apenas não lembro-o. Os calendários não eram iguais, o mundo não era igual e, óbviamente, isso conta para a memória de um vampiro. Ao morrer, pois é o que biológicamente sou, um morto, criam-se diversas teorias sobre o mundo e suas origens, sobre as culturas e tradições. Fazer aniversário é nada mais que celebrar a sobrevivência e, então, não existe razão para que eu tenha comemorado essa data um ano sequer de meus 1500 anos de morte. Ah sim, meu deathday é dia 8 de maio, acho que isso significa que sou de touro em algum zodíaco. O resto será dito com o passar dos meus dias através destas folhas, até que esteja tão fundo em mim mesmo que perca sua identidade em meu mundo pessoal. Informado disso, espero que aprecie está leitura da mesma maneira que a vivi dia após dia.

..........

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

The Death by Sophia

Ponderando por hoje, resolvi falar sobre a morte.

Como é morrer? Por anos tive essa dúvida me atormentando, mas nunca tive real curiosidade de saná-la. Acreditava que era algo cujo todos descobriam ao final, um segredo dos homens mortos, um segredo inviolável, pois mesmo os que quase morrem, não tem real idéia de como foi sua passagem. Algo limpa-lhes a memória para que possam continuar.

Não era nada disso. Não era nenhum segredo inviolável dos mortos, nem um místico adereço da vida. Morrer não tem mistério e, por outro lado, continuar vivendo é o real martírio da existência.
Claro que só descobri isto com a minha morte. A nossa insaciabilidade humana vem conosco para a existência, mesmo que boa parte da ignorância fique na cova.

Irei me explicar, calmamente, prometo. Só preciso introduzir a minha versão do que foi a morte antes de continuarmos;
Estava apavorada, mas não o suficiente para esquecer a sensação de que o sangue se esvaiu de mim. Senti frio, como se congelassem meu corpo à partir dos pés, e, ao chegar nos joelhos, meu corpo estivesse se desfazendo em pequenos farelos.
Então um breve calor inundou tudo sentia-me um copo de água fervendo com um belo torrão de gelo acima, um torrão que não derretia com o calor da água, assim como não a resfriava, havia uma harmonia. Então a escuridão me preencheu, cada vazio anterior do meu coração e do meu corpo estava sendo coberto. (Estranhamente, posso definir como felicidade o que senti)
Acordei algum tempo depois, não saberia dizer quanto, mas foi quando entendi que morria, soube que naquele momento não tinha retorno.
Senti dor, tristeza, felicidade, alegria, ternura, e todos esses sentimentos e suas sub-divisões estavam começando a afundar para a parte de trás do meu corpo. Sentia-os deslizar por meu corpo como um líquido viscoso e negro, se acumularam em meus ombros, minhas costas, minha bunda, minhas panturrilhas e meus calcanhares, todos saídos de minha cabeça.
Abri a boca, desejando me desesperar, mas não consegui. Não sentia mais medo, nem preocupação. Algo em mim, por outro lado, estava extremamente curioso com o final de todo aquele teatro que ocorria em meu corpo.
No tempo que se seguiu uma segurança pareceu aterrar o líquido viscoso em minhas entranhas e sobre isso uma fome desesperadora me atingiu como um punho quente. Nesse momento me movi sacodindo o local onde estava e gritei. Arranhei a tampa do caixão e toda a serenidade que apresentava e sentia parecia ter sido posta tão fundo quanto o líquido negro em meu corpo.
Novamente gritei, mas um rugido foi o que ecoou de minhas cordas vocais. Não perdi tempo, precisava comer, me sentia enterrada a milênios, faminta e desesperada por milênios.

Gritei, rugi e gemi por muito tempo até que um rosto desconhecido surgiu de pé à beira do caixão. Algo nos olhos daquela figura me acalmou. Impediu que meu corpo surtasse novamente, algo nele parecia ter pleno controle sobre a faceta de mim que nem eu mesma compreendia.

[cont.]

> Não revisado.